O problema dele era que ele nunca achava uma resposta definitiva para suas perguntas, todo mundo tinha uma explicação para determinado assunto, cada um com seu ponto de vista, a verdadeira verdade estava enraizada nos princípios da existência, e a comodidade dele não o levava a busca pela verdade. A resposta para suas dúvidas era totalmente baseada na perspectiva de outros, e a dos outros em outros e assim até se aproximar vagamente da verdadeira verdade.
Júlio sabia que verde era verde e que os pássaros voavam, mais não sabia o porque, ele sabia que sua mãe o amava e que seu pai gostava de fumar cigarros, mais não sabia o porque, ele sabia que se cair machuca, e que se caia pela gravidade e alguma coisa da maçã, mas não tinha à boca o gosto da prova concreta disso tudo.
Júlio foi crescendo e suas idéias se aflorando, e quanto mais ele sabia, mais perguntas se formavam a sua mente, ele começou a ter problemas em se olhar no espelho, ele não compreendia o que ele era, da onde que tinha saído a matéria-prima do pensamento e quem era tão impiedoso para criar tudo aquilo e ir embora sem deixar uma manual de instruções.
Até que Júlio começou do principio, pegou um lápis um papel e começou a escrever a sua história, bem simples e com palavras fáceis, e Júlio decidiu buscar na simplicidade das coisas as respostas para suas perguntas, e decidiu buscar pessoas para conversar sobre seus pensamentos, pessoas iguais a ele, que tinham uma vontade maior, uma busca incompreendia, e que não sabiam da onde começar. Júlio não se conformava com o cotidiano, viu fotos de lugares distantes, lindos, e difíceis de se alcançar, e pensou, com um mundo tão grande, como as pessoas conseguem se perderem em uma rotina tão impiedosa, com um mundo tão lindo e pensamentos tão maravilhosos, vivem dez, vinte anos sem ao menos sentir o gosto da liberdade.
Um dia Júlio encontrou Marcos e o perguntou o que ele achava sobre tudo, Marcos o respondeu que era mais fácil fazer perguntas e mais fácil ainda não fazê-las e se conformar com a vida, mas o que ele realmente sabia é que ele não sabia de nada, e na insistência de saber ficava cada vez mais nítido que havia tanta coisa para se saber que 100 vidas não seriam suficiente para saber de uma vaga parte desse tudo. Mas a vida é assim mesmo, é um segredo que talvez jamais será revelado para os que estão vivos, mas eu não vou ficar esperando alguém desvendá-lo pra depois chegar a mim como um conto do vigário.
Arquivo de Histórias de Leone xx/2009
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Gostei muito deste seu texto. Se essa é a busca da humanidade, então, sejamos mais humanos. Só assim teremos a possibilidade de entender-mos à vida.
ResponderExcluirParabéns!