sexta-feira, 29 de junho de 2012

somos

um cadeado sem fechadura, a cólera encarnada, o magnânimo furor de escrúpulos egocêntricos, a rebeldia juvenil da incompreensão futura, o medo de ser e o terror de não existir.


como o urso branco solitário em noites iluminadas de verão eu vago, e o vazio do não sei o que, bate bate forte e me acompanha

e um beijo abre o cadeado sem fechadura e muda o destino do universo

agora sem fronteiras, sem medos

com vontade, com ternura


o amor é uma pá que escava o coração, nele abriga a verdade e tudo o que possamos desejar, 

tudo está dentro de nós e nós somos um, somos o universo o infinito de possibilidades imortal.








domingo, 17 de junho de 2012

VIRANDO WODWO

DESPIR MINHA CAMISA, meu livro, meu casaco, minha vida
Deixá-los, cascas vazias e folhas secas
Ir em busca de comida e de uma nascente
De água fresca.

Encontrarei uma árvore tão grossa quanto dez homens gordos
Água cristalina correndo entre suas raízes cinzentas
Bagos encontrarei, maçãs selvagens e nozes,
E chamarei tudo de lar.

Direi ao vento meu nome, e a mais ninguém.
A verdadeira loucura nos toma ou nos deixa na floresta
na metade da vida de todos nós. Minha pele será
meu rosto agora.

Eu devo ser doido. Deixando a razão com os sapatos e a casa,
meu estômago dói. Cambalearei através do verde
rumo a minhas raízes, e folhas e espinhos e botões,
e tremerei.

Abandonarei as palavras para andar no mato
Serei o homem da floresta, saudarei o sol,
E sentirei o silêncio brotar na minha língua
como linguagem.

(coisas fragéis 2 - Neil Gaiman)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

que não.




Há um incessante movimento para que eu deixe de existir por algumas horas.
Faço de conta que não é comigo e permaneço existindo mesmo que o movimento contrário do relógio me diga, e repita incessantemente, que não.

Madame Drunken Butterfly